domingo, 14 de setembro de 2014
Não me diga que é mais um texto sobre o amor...
Pois é, mais um!
Na verdade, sobre as várias formas do amar.
Eu, na expectativa do dia em que Lorenzo (meu filho) virá para esse mundo louco e lindo, além de ficar ansioso, penso em alguns temas com maior recorrência e, o que mais me aparece dos mais diversos lugares, é o amor.
Ou como no título do albúm de Alexandre Nero "Vendo amor: nas suas mais variadas formas, cores e tamanhos."
Não falarei aqui do amor que sinto e sentirei pelo meu filho, mas falarei do amor que quero que ele possa sentir por outra pessoa (e que outra pessoa possa sentir por ele) quando chegar a hora.
- Mas seu filho ainda nem nasceu e você está pensando em quando ele começar namorar alguém ?
Sim, sumemo! Estou falando de Eros.
Por que preocupar com isso tão cedo ?
Pura e simplesmente porque quero que ele seja feliz.
Quero que ele veja e conheça tanto o amor no seu ambiente e realidade individual (que é espelho da alteridade), que ele saiba naturalmente que é livre para amar quem quiser e como quiser.
Quero que, quando chegar a hora de trazer alguém em casa, ele possa dizer apenas: "Trarei *coloque um nome de sua preferencia aqui* pra vocês conhecerem no fim de semana.", sem se importar em dizer altura, cor da pele ou dos olhos, se tem cabelo crespo ou liso, ou se é homem, mulher ou trans* e sabendo que não será julgado por quem ele ama.
Se a sua reação ao parágrafo acima foi:
* Torcer o nariz: Volte duas casas no tabuleiro para analisar qual foi o preconceito.
* Me chamar de viado (e similares): Volte 5 casas e tire uma carta do monte de como não ser homofóbico.
* Dizer: "Esses viado tudo tem que morrer", "gay não é gente" e similares: Volte 10 casa para o bônus do jogo =D, onde você se transforma em Benjamin Button e volta para o útero.
Ele também conhecerá o ódio nos discursos de alguns seres (de alma bem pequena, remoendo pequenos problemas), mas espero que perceba cedo que ódio não gera nada a não ser ele mesmo.
Nessa sociedade louca que está sempre correndo atrasada para o trabalho porque tem que produzir e não tem tempo para sentar quinze minutos na casa de um amigo e tomar uma cerveja falando sobre a vida, é preciso olhar ao redor e...
"Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita."
Carlos Drummond de Andrade
PS: Esse foi o texto de apresentação do blog. Espero escrever sobre vários temas, sempre com o olhar de quem é apaixonado pela psicologia e pela música.
Um beijo,
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